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BUIÃO, ex-ponta direita do Atlético-MG, Corínthians-SP, Flamengo-RJ, Ferroviária de Araraquara-SP, Grêmio-RS, Atlético-PR, Sampaio Correa-MA, Rio Negro-AM e Colorado-PR

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João Bosco dos Santos, o Buião nasceu no dia 31 de janeiro de 1946 na cidade de Vespasiano no Estado de Minas Gerais.


Os colegas caçoavam do menino João Bosco dos Santos por ele ser baixinho e um pouco gordinho. Logo passaram a chamá-lo de Bujão.

O técnico do time da garotada, o Juca Sapateiro, gostava de mandar publicar no jornal de Vespasiano, cidade mineira onde nasceu o garoto João Bosco, as proezas e as escalações do seu time, inclusive com os apelidos de cada menino. Todo mundo tinha um. Ninguém ficava impune.

Em uma daquelas resenhas do Juca Sapateiro, saiu “Buião” em vez de “Bujão”. Dali em diante João Bosco seria “Buião” para sempre.

O menino gordinho, mas muito bom de bola, nasceu no dia 31 de janeiro de 1946. Desde pequeno, com apenas sete anos (apesar do sobrepeso), se insinuava um ponta-direita veloz. Aos 10, estava no Vespasiano e, aos 16, no Independente, na segunda divisão do campeonato mineiro. Trabalhava como garçom em Vespasiano, mas mantinha a esperança de, um dia, jogar futebol à vera. O sonho não estava tão distante. Havia olheiros do Atlético Mineiro e do Cruzeiro assediando pai de Buião.

Atlético-MG

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No Hall da Fama do Galo. Reprodução do site www.contagiandomultidoes.com

Ao completar 18 anos, em 1964, o arisco ponta foi levado pelo treinador Afonso Bandejão para Atlético Mineiro, que confirmara a contratação com o pai de Buião, antes do rival Cruzeiro. A estreia aconteceu no jogo contra o Paraense, de Pará de Minas. E não é que o garoto Buião fez o gol da vitória?

Torcida entusiasmada e cartolas felizes, uma fórmula que rendeu, no dia seguinte ao primeiro jogo, um contrato de dois anos com o Galo. E Bandejão, que, como zagueiro, também defendera o Atlético por mais de uma década, conseguiu ser contrato como técnico do Atlético.

Abaixo uma das formações do Atlético Mineiro

Da esquerda para a direita, em pé: Bueno, Grapete, Marcelino, Benê, Luiz Peres e Décio Teixeira. Agachados: Buião, Viladônega, Nilson, Buglê e Noêmio. Foto enviada por José Alves

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Buião mal sabia, mas já era ídolo da torcida. Deixara de ser apenas um dos 15 filhos de uma humilde família para brilhar no futebol. Mais tarde, com o sucesso na posição, chamariam Buião de “o novo Garrincha”. Mesmo com a exagerada comparação, ele foi, com inteira justiça, relacionado entre os 44 pré-selecionáveis para Copa do Mundo de 1966.

Como o futebol de Minas pagava pouco, Buião – mesmo reconhecendo o carinho dos atleticanos e querendo permanecer em Belo Horizonte – transferiu-se para o Corinthians em 1968, permanecendo no clube até 1970.

Muitos o queriam. Buião era cobiçadíssimo, de Norte a Sul. São Paulo e Flamengo eram os mais fortes adversários do Timão no páreo pelo Buião. O Tricolor paulista, por exemplo, ofereceu três jogadores por empréstimo: Benê – craque, mas já em fim de carreira —, Carlos Alberto e Fábio. Mas foi no Corinthians em que ele ficou e onde ganhou, de cara, muito dinheiro.

Abaixo Pelé e Buião na concentração no Hotel Taquaril na preparação da Seleção Brasileira para Inglaterra

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Corínthians-SP

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A ida de Buião para o Corinthians foi uma das maiores transações da época no futebol brasileiro. Algo na casa dos 400 milhões de cruzeiros. Somente ele, que tinha apenas 20 anos e fama de melhor ponta-direita de Minas, teve direito a 15% de luvas. “Pra começar, fiz um contrato inédito, de três anos. Como era proibido, assinei dois contratos: um de dois anos e outro de um.”

Como todo mineiro que se preze, Buião chegou ao Parque São Jorge vestindo um terno de casimira escura e uma camisa social, sem gravata. O Sol naquela tarde de sábado estava forte. O craque tirou o paletó e sentou-se à beira do gramado para assistir ao jogo do Timão contra a Ferroviária, de Araraquara. Concedeu entrevistas, autografou à vontade e foi paparicado por jornalistas, carolas e torcedores. Tornara-se ídolo de véspera.

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Buião tinha fé de que traria alegrias para a torcida tanto quanto Paulo Borges, o titular da ponta-direita: “Não perco missa e minha madrinha, Nossa Senhora da Aparecida, haverá de me ajudar. Já pensaram se, na noite de minha estreia, o Corinthians vence o Santos?”.

Chegara para tirar a vaga de Paulo Borges – ídolo incontestável, sobretudo por ter sido o principal ator da epopeica vitória de 2 a 0 sobre o Santos, que pôs fim a um jejum de longos e tenebrosos onze anos (e 22 partidas) sem vitória sobre o rival.

E foi naquele jogo que Buião estreou no Corinthians, com ele na ponta e Paulo Borges sendo deslocado para meia-direita. Pé-quente, esse Buião…

O dinheiro das luvas que recebera do Corinthians, Buião deu ao pai, José Sérvulo, o Barão, para comprar algumas kombis e montar uma frota de transporte escolar. O previdente Buião já pensava no futuro longe do futebol.

Enquanto ainda tinha lenha para queimar nos gramados, Buião disputava a ponta-direita do Timão com Paulo Borges.

Acreditava que seria facilmente o titular. Principalmente após ouvir de Wadih Helu, então presidente do clube, que não contrataria Paulo Borges, pois estava emprestado pelo Bangu e teria de voltar ao Rio de Janeiro.


Mas a pressão da torcida para que Paulo Borges assinasse em definitivo com o Timão foi grande, sobretudo após a vitória contra o Santos. Além da ascensão de Paulo Borges, outros fatos foram decisivos para que Buião perdesse espaço no time.

Após o craque mineiro estrear bem em 1968, o técnico Dino Sani o deixou na reserva no jogo seguinte. Protestou publicamente, especialmente durante entrevistas, e acabou sendo pouco utilizado nos jogos seguintes àquele contra o Santos. Para piorar, discutiu duas vezes com Rivellino, durante os treinos. Em um dos bate-bocas, por pouco não houve briga corporal.

Abaixo Buião na Seleção Paulista de 1969

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Ferroviária de Araraquara-SP

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A situação complicara no Corinthians, com Buião tendo o passe emprestado à Ferroviária, de Araraquara, em 1970.

Teve uma passagem, ainda que rápida, pela Associação Ferroviária de Esportes, de Araraquara. Isso aconteceu entre novembro e dezembro de 1970, quando a Locomotiva disputava o Paulistinha, competição que servia para apontar os clubes interioranos que disputariam o Paulistão.

De acordo com o acervo de “Ferroviária em Campo”, BUIÃO realizou 9 (nove) partidas pela AFE, estreando em 18.11.70 no 0 x 0 contra o Juventus, na Fonte, quando o time escalado foi este: Getúlio; Baiano (Ademir, Fernando, Ticão e Zé Carlos; Tonhé (Nicanor) e Bazani; BUIÃO, Zé Luiz, Lance e Nei.

A última apresentação de BUIÃO com a jaqueta grená se deu em 19.12.70, no 2 x 1 da AFE contra o XV de Piracicaba, na Fonte. Nesse encontro, o time foi de: Getúlio; Baiano, Fernando, Ticão e Fogueira; Ademir e Bazani; BUIÃO, Nicanor, Lance (Zé Luiz) e Nei.
O técnico afeano era Vail Motta.

Nos nove jogos de BUIÃO pela Ferroviária, a equipe conseguiu quatro vitórias, empatou três vezes e perdeu duas; marcou 10 gols e sofreu seis. BUIÃO anotou um gol nessas nove partidas, contra o Comercial.

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Corínthians-SP

Buião regressou ao Corinthians, que já não tinha mais Paulo Borges, mas tinha o jovem Vaguinho (Wagno de Freitas) despontando na ponta-direita. Buião acabaria deixando o Parque São Jorge e seguindo para a Gávea, em 1971.

Flamengo-RJ

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No Flamengo, ficou por empréstimo durante um ano, alternando grandes atuações com outras sofríveis.

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C.R.Flamengo - Campeão do Troféu Pedro Pedrossian.

Na Inauguração do Estádio no dia 07 de março de 1971 em Pedro Pedrossian-MS, Buião fez o primeiro gol do Estádio.

Gosl do Flamengo: Buião, Murilo e Liminha.

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Flamengo: Ubirajara, Murilo, Onça, Reyes, Rodrigues Neto (Tinteiro), Zanata, Liminha, Buião (Caio Cambalhota), Roberto Miranda, Fio Maravilha(Nei Oliveira) e Caldeira.

Buião fez o primeiro gol do Estádio.

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O Flamengo se interessou em mantê-lo, mas o Corinthians pediu os mesmos 400 mil cruzeiros que pagara ao Atlético Mineiro quatro anos antes. Os cartolas rubro-negros desistiram de Buião, que voltou ao Parque São Jorge, imaginando uma nova fase, de gols e estabilidade. Nada deu certo para ele.

Com a camisa do rubro-negro da Gávea, segundo números do "Almanaque do Flamengo", de Roberto Assaf e Clóvis Martins, Buião disputou 42 partidas (15 vitórias, 17 empates e 10 derrotas) e marcou cinco gols.

Corínthians-SP

A segunda passagem pelo Corinthians foi menos auspiciosa que a anterior.

Buião não voltaria mais ao Corinthians, que defendeu em 57 partidas , marcando apenas dois gols.

“Eu me acomodei. Se tivesse pegado firme, estaria lá até hoje, como o Vaguinho, que chegou depois. Mas não dava, eu não tinha ânimo. O banco era duro demais para quem tinha 22 anos e estava em plena forma. Cada vez que eu me lembrava da minha saída do Atlético, eu chorava. Mas a culpa foi minha, eu não lutei como devia pra sair daquela situação de reserva.”

Atlético-PR

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Em 1972, acabou emprestado ao Atlético Paranaense, levado por Almir de Almeida, que ainda acreditava em seu futebol.

“Em 1972, o Atlético procurou formar um grande time. Contratou Picasso, Cláudio, Sérgio Lopes, Júlio e Wilson para se juntar a um elenco em que Sicupira já se destacava. Chegamos ao vice-campeonato. Assim que cheguei, gostei de Curitiba. Casei na cidade e tive dois filhos paranaenses. Mas passei momentos em que fiquei muito assustado. Foi logo na minha estreia com a camisa do Atlético, em União da Vitória”, relembra Buião. No jogo contra o Iguaçu, Buião foi apedrejado e ficou com o olho direito machucado. Além dele, o motorista também recebeu ferimentos no braço direito.
Depois de o Campeonato Paranaense de 1972 chegar ao fim, Buião foi emprestado para o Grêmio de Porto Alegre. “Na época, o campeão do Estado era o único representante no Campeonato Brasileiro. Como o Atlético ficou sem calendário, fui emprestado.

 

Grêmio-RS

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Jogos de Buião pelo Grêmio

Buião fez 9 jogos pelo Tricolor Gaúcho

Estreia
Bahia 0 x 0 Grêmio - 30/09/1972
Último Jogo
Santos 0 x 1 Grêmio - 14/12/1972

Atlético-PR

Em 1973, voltei para o Atlético e neste ano fui artilheiro do Campeonato Paranaense, juntamente com Zé Roberto, do Coritiba, com 16 gols.

Buião foi autor do primeiro gol do Atlético Paranaense em Campeonatos Brasileiros

Foi uma passagem muito feliz pelo Rubro-Negro. Fiquei até 1976, quando então eu fui para o Colorado”, diz.

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Abaixo Pelé e Buião no jogo do Atlético Paranaense x Santos

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No Rubro-Negro da Baixada, Buião foi apontado o grande destaque do campeonato paranaense de 1975.

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No ano seguinte, deixou o clube com o qual jamais conquistou títulos; o que não lhe impediu de manter grande empatia com a torcida e tornar-se ídolo, um dos maiores nos anos de 1970.

Se a torcida o idolatrava, não se pode dizer o mesmo do então presidente do Atlético Paranaense, Anísio Khouri, que ofereceu ao Buião menos do que recebia como salário para permanecer no clube. Buião por pouco não aceitou, não fosse uma proposta do já extinto Colorado. O duro foi ter de pagar ao Atlético 60 mil cruzeiros de rescisão contratual, pois Buião era o dono do próprio passe ao deixar o Corinthians.

Depois do Furacão da Baixada, outros clubes passaram pela vida de Buião, ou vice-versa: Grêmio, Rio Negro (Manaus), Sampaio Corrêa (Maranhão) e Noroeste (Bauru). Sem sucesso.

Sampaio Correa-MA

Em 1974 Buião foi emprestado ao Sampaio Corrêa.

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Sampaio Corrêa em sua estréia na elite do futebol nacional

Sampaio Corrêa, estreando no Campeonato Brasileiro da Primeira Divisão, em 1974

Formação do Sampaio Corrêa no Brasileirão de 74: em pé - Benazi, Moraes, Gilson, Lourival, Raimundo e Santos; agachados: Buião, Djalma Campos, Dionísio, Sérgio Lopes e Airton

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A CAMPANHA DO SAMPAIO CORRÊA NO CAMPEONATO BRASILEIRO DE 1974
10/03/1974-Sampaio Corrêa 1x2 Flamengo
13/03/1974-Sampaio Corrêa 2x2 Bahia
17/03/1974-Sampaio Corrêa 1x0 América
20/03/1974-Sampaio Corrêa 3x1 Fluminense
23/03/1974-Sampaio Corrêa 1x0 Avaí
30/03/1974-Sampaio Corrêa 0x2 Coritiba
06/04/1974-Sampaio Corrêa 1x1 Internacional
20/04/1974-Sampaio Corrêa 0x3 Vitória
27/04/1974-Grêmio 2x0 Sampaio Corrêa
04/05/1974-Sampaio Corrêa 0x0 América-RJ
08/05/1974-Desportiva 2x1 Sampaio Corrêa
11/05/1974 -Sampaio Corrêa 1x1 Botafogo
16/05/1974-Remo 2x0 Sampaio Corrêa
18/05/1974-Sampaio Corrêa 2x0 Vasco da Gama
22/05/1974-Olaria 2x0 Sampaio Corrêa
25/05/1974-Itabaiana 2x1 Sampaio Corrêa
02/06/1974-Sampaio Corrêa 0x1 Atlético-MG
09/06/1974-Tiradentes-PI 2x0 Sampaio Corrêa
12/06/1974-Paysandu 1x0 Sampaio Corrêa

 

Rio Negro-AM 

Jogou no Rio Negro-AM em 1976.

 

Colorado-PR

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O único troféu que Buião levantou foi pelo Colorado, mesmo assim dividindo o campeonato paranaense de 1980 com o Cascavel.

Mas pode-se dizer que Buião é um dos maiores ídolos da história do Colorado. O começo no clube, em 1977, foi pedreira. Por pouco, não foi dispensado. Só seria reconhecido no ano seguinte, quando o escolheram o melhor ponteiro do futebol paranaense, feito que repetiria em 1979.

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No ano seguinte, o Coritiba o queria no time. Pedido do treinador do Coxa, Mario Juliato, ao presidente do Coritiba, Amauri dos Santos. Mas as negociações não avançaram.

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O Colorado seria o clube em que Buião ficaria por mais tempo e também aquele em que encerraria a carreira, em 1982. Foi também aquele em que sentiu o gostinho de ser campeão. Sabor que não foi maior, porque o título de 1980, por canetada do presidente da Federação Paranaense de Futebol, acabou dividido ao meio com o Cascavel. Mas o Colorado da época era um time forte. “O Colorado teve grandes jogadores, como Edu, irmão do Zico; Zequinha, Marinho, Tião Abatiá, Bira, Levi Culpi, Joel Mendes, Gassen, Ary Marques, Dito Cola e muitos outros”, recorda. Buião não entra em detalhes, mas diz que “no Paraná acontecia cada fato diferente”. Um deles ocorreu num jogo do Colorado contra o Toledo. O jogador adversário ia encobrir o goleiro Joel Mendes do Colorado, quando o preparador físico Matter saiu de trás do gol e tirou a bola. “Ele ainda saiu comemorando e correndo para o vestiário”, relembra Buião. No Tricolor da Vila, Buião repetiu a dupla de ataque do Corinthians: ele na direita e Aladim na esquerda.

Do longo período na Vila Capanema, Buião recorda dois jogos em especial. “Um foi aquele em que ganhamos de 4 x 0 do Flamengo em Curitiba, mas perdemos no Rio de Janeiro por 2 x 1. O Flamengo tinha Zico, Júnior, Carpergiani, Nunes, Mazinho, Raul, Mozer e Adílio, entre outros. Então foi uma vitória maiúscula a nossa. O outro jogo com a camisa do Colorado, que me marcou muito, mas no sentido amargo, foi contra o Atlético, na Baixada. Foi aquele famoso jogo em que estávamos ganhando de 4 x 0 e o Ziquita acabou empatando tudo ao marcar quatro gols. O gol mais memorável que eu marquei com a camisa do Colorado foi numa partida contra o Coritiba, que tinha o Manga no gol – o melhor goleiro do Brasil – e ganhamos de 2 x 0”, recorda.

Quando encerrou sua carreira, em abril de 1982, no próprio Colorado, que inesperadamente o dispensou, Buião, sem clube que o quisesse, retornou a Vespasiano.

Em abril do ano seguinte, cartolas do Atlético Mineiro e do Colorado, talvez por remorso, decidiram homenageá-lo com placas e um jogo entre os dois clubes, no Mineirão, que contou com um público de mais de 50 mil pessoas. Do meia Marinho, ídolo do Colorado como ele, recebeu uma placa; de Éder, também ídolo do Galo e seu conterrâneo, recebeu outra.

Foi tudo inesperado. Buião chegara ao estádio apenas para assistir ao jogo, mas os dirigentes dos dois clubes o obrigaram a entrar em campo e a vestir as duas camisas para a merecida homenagem ao grande ídolo que foi no passado. Buião foi um dos melhores ponteiros que Minas Gerais e Paraná já viram jogar.

FAMÍLIA ACIMA DE TUDO

Desde os tempos em que viajava o Brasil por conta da carreira de jogador de futebol, Buião fazia sempre o possível para ficar perto da numerosa família, em Vespasiano, onde, após pendurar as chuteiras, dedicou-se apenas à sua empresa. Até como motorista de sua própria frota ele trabalhou.

Tinha a convicção que vida de jogador de futebol é curta e sucesso nela é efêmero. Ganhar dinheiro com o futebol era até possível, mas investir bem depois de deixar a bola é que representa o grande desafio.

Muitos, mesmo com idade avançada para um atleta, ainda insistem. Buião sempre definiu a postura como falta de consciência do ridículo, como declarou, em 1980, ao repórter Jorge Eduardo , de “O Estado de S. Paulo”:

“Quando o profissional deixa de servir, em qualquer circunstância, aí sim, chegou a hora; e se ele insiste no erro, passa a ser motivo de chacota e humilhações. E eu não quero que isso aconteça comigo.”


O pai e dois irmãos (dos 15 filhos de “seu” Barão) sempre trabalharam com ele na Viação Buião. Além do ex-ponta, dois de seus irmãos também foram jogadores de futebol: um, defendeu o Valeriodoce de Itabira (MG) e o Goiânia; enquanto o outro não passou de juvenil do Atlético Mineiro.

A esposa, a paranaense Maria Aparecida Barros dos Santos, com quem Buião se casou em 1974, trabalhava como trocadora no ônibus em que o ex-jogador dirigia. Formada em Engenharia Química, ela deixou o emprego público no Paraná para acompanhar o marido no novo empreendimento. Infelizmente, Maria faleceu. Com ela, Buião teve três filhos.

Buião, que montou seu negócio durante os 18 anos de carreira, tem hoje dezenas de ônibus e a Viação Buião é concessionária do transporte coletivo de Vespasiano.

Mas o futebol permanece na vida do ex-craque. Quando lhe sobra um tempo, assiste aos treinos no centro de treinamento do Atlético Mineiro e arrisca uma pegada de treinador. Dirigiu o Valença, clube amador da sua cidade, mas sem compromisso formal.

Buião achou que política era tão fácil quanto jogar futebol. Arriscou-se nas eleições de 1998, mas não conseguiu eleger-se a deputado estadual por Minas Gerais.

Foi melhor mesmo permanecer cuidando do empreendimento e curtindo as lembranças de que um dia ele, o craque Buião, foi ídolo do futebol brasileiro comparado até mesmo com Garrincha.

Carreira
Independente/Vespasiano-MG - ???
Atlético-MG - 1964/1968
Corinthians-SP - 1968/1970
Ferroviária de Araraquara-SP - 1969
Flamengo-RJ - 1971
Grêmio-RS - 1972
Atlético-PR - 1973
Sampaio Correa-MA - 1974
Atlético-PR - 1975/1976
Rio Negro-AM - 1976
Colorado-PR - 1978/1981

 

Títulos
1971 - Troféu Pedro Pedrossian - Flamengo-RJ
1980- Campeão Paranaense - Colorado-PR

 

Na partida Atlético 1 x 0 Colorado-PR, válida pelo Campeonato Brasileiro de 1983, Buião foi homenageado por ambos os clubes. Assim que chegou ao Mineirão para ver o jogo, os dirigentes dos dois clubes vestiram nele as duas camisas: a do Atlético e a do Colorado-PR. Com uma camisa sobre a outra, ele entrou no gramado para ganhar uma placa do time paranaense, dada pelo meia Marinho, e outra do Galo, entregue por Éder Aleixo, seu conterrâneo de Vespasiano, Minas Gerais.

Com a camisa do Atlético Mineiro, o ex-jogador fez 155 jogos e marcou 25 gols.

Pelo Corinthians, entre 1968 e 1970, o ponta-direita fez 57 jogos (22 vitórias, 20 empates e 15 derrotas) e marcou dois gols (números do "Almanaque do Corinthians", de Celso Unzelte).

Com a camisa do rubro-negro da Gávea, segundo números do "Almanaque do Flamengo", de Roberto Assaf e Clóvis Martins, Buião disputou 42 partidas (15 vitórias, 17 empates e 10 derrotas) e marcou cinco gols.

 

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Publicado por: Murilo Dieguez

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Fonte de Pesquisa:

Entrevista exclusiva de Buião para o site historiadordofutebol.com.br;

www.museudapelada.com-por André Felipe de Lima

www.galodigital.com.br 

terceirotempo.uol.com.br

mshoje.com.br/2019/08/17/campo-grande-120-anos-estadio-morenao-projetou-ms-no-futebol/

www.gremiopedia.com

www.contagiandomultidoes.com

www.tribunapr.com.br/arquivo/lendas-vivas/colorado-foi-o-clube-em-que-buiao-mais-jogou/

ferroviariaemcampo.blogspot.com/2018/01/buiao-e-ferroviaria.html

flaestatistica.com.br

acervo www.historiadordofutebol.com.br

 

 

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"Buião, você faz parte da história do futebol, e eu seu amigo Marcelo Dieguez, o Historiador não vou deixar sua história ser esquecida".